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O faturamento bruto dos fabricantes de materiais de construção teve crescimento real de 8%, no ano passado, na comparação com os R$ 210,8 bilhões registrados em 2020. “Foi a maior expansão desde 2013, mas a escala de volume que a indústria produz, hoje, ainda não chegou ao nível de 2015”, disse ao Valor Rodrigo Navarro, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat). Para 2022, o aumento esperado é de 1%, conforme estimativa da Fundação Getulio Vargas (FGV) traçada a pedido da entidade.

Segundo Navarro, o setor segue com “otimismo moderado cauteloso”. Um mês atrás, o representante setorial avaliava que o crescimento das vendas de materiais de construção dos 22 segmentos associados à entidade poderia chegar a 8,5%. “Já esperávamos desaceleração das vendas, mas isso pode ter ocorrido mais rapidamente”, diz. No mês de dezembro, houve queda de 13,8%, na comparação anual, e redução de 1,3% ante novembro.

Embora o incremento previsto para este ano fique bem abaixo do de 2021, pondera o representante setorial, trata-se de número relevante quando se considera a base forte e a expansão muito acima da estimativa do Banco Central para o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, de alta de 0,28%. Em 2018, o faturamento deflacionado das indústrias de materiais cresceu 1%. No ano seguinte, houve expansão de 1,5%. Em 2020, foi registrada leve queda de 0,2% e, no ano passado, elevação de 8%. “Teremos crescimento sustentado em patamar descolado do PIB”, diz Navarro.

Em dezembro, 83% das indústrias de materiais informaram à Abramat ter intenção de realizar investimentos nos próximos 12 meses. Da fatia de 83%, 67 pontos percentuais são referentes à modernização dos meios de produção, e 16 pontos percentuais, à expansão de capacidade instalada. A fatia de uso da capacidade estava em 74%, no último mês do ano, abaixo dos 80% de novembro, mas acima dos 70% do período pré-pandemia de covid-19.

O ciclo de alta de juros tende a contribuir para a desaceleração de lançamentos imobiliários, mas há expectativa, segundo o presidente da Abramat, de continuidade da demanda de materiais para as obras dos empreendimentos apresentados nos últimos dois anos. O varejo setorial tende a se manter como principal destino dos produtos, e se espera crescimento das encomendas para obras de infraestrutura como consequência dos leilões realizados e do marco regulatório do saneamento.

Neste ano, diz Navarro, a pressão de custos de materiais e da inflação em geral tendem a diminuir. Porém, os casos de covid-19 voltaram a crescer, e a influenza passou a afetar o dia a dia das pessoas e das empresas. “O peso das externalidades está cada vez maior”, afirma. As eleições majoritárias de outubro contribuem para tornar o cenário mais incerto, mas também podem significar, destaca o presidente da Abramat, aumento dos investimentos em infraestrutura.

No entendimento de Navarro, não há risco de novo fechamento do comércio de materiais de construção em decorrência do aumento do número de casos de covid. “As lojas adotaram protocolos de segurança sanitária. Não espero novo ‘lockdown’”, diz.

Fonte: Valor Econômico
“Utilizando matrizes insumo-produto, atualizadas para o ano de 2018 (último disponível) o país, ao deixar de investir no segmento da construção R$ 11,3 bilhões, deixou de gerar 365.040 ocupações, de arrecadar R$ 2,8 bilhões em impostos e impediu o crescimento do valor adicionado da economia brasileira em R$ 16,2 bilhões. Também impediu o crescimento da massa salarial em R$ 5,7 bilhões de salários e R$ 1,2 bilhão de arrecadação da previdência social e do Fundo de Garantia de Tempo de Serviço (FGTS)”, diz o estudo.

O secretário regional de Educação do Internacional de Trabalhadores da Construção e da Madeira (ICM), Nicolás Menassé, afirmou que a situação é alarmante. “O déficit habitacional vem subindo e hoje está em quase seis milhões de lares. Se você multiplica por quatro, que é a média dos integrantes das famílias brasileiras, são 24 milhões de brasileiros que estão com déficit habitacional. Além disso, vivem em moradias precárias e gastam mais de 30% do salário em habitação”, ressaltou.

Segundo o estudo, moradias com déficit habitacional são aquelas constituídas de materiais impróprios e/ou improvisados, com excesso de pessoas que coabitam ou poucos cômodos para muitos moradores ou quando famílias comprometem um valor excessivo de sua renda com aluguel.

As regiões brasileiras com maiores números de déficit são a Sudeste e a Nordeste – por conta da grande concentração populacional. Juntas, somam quase 70% do total. A região Norte aparece em terceiro lugar, seguido do Sul e do Centro-Oeste. O estudo mostra que quando observada a proporção do déficit habitacional, em relação ao total de domicílios permanentes das respectivas regiões, a região Sul é a que possui menor participação, com apenas 5,6% em 2019. “Por outro lado, a região Norte é a que possui maior participação de domicílios precários em relação ao seu total, com 12,9% em 2019. Portanto, mais de um em cada 10 domicílios na região são precários”, aponta o estudo.

O levantamento concluiu que além da queda do gasto do governo federal com políticas habitacionais, ainda há a perspectiva de deterioração, por conta do empobrecimento da população e do aumento do custo da moradia.

O material foi apresentado a parlamentares em Brasília com o objetivo de demonstrar os efeitos dos cortes no programa e para reivindicar a retomada do orçamento para 2022.

O estudo foi encomendado pela Internacional de Trabalhadores da Construção e da Madeira (ICM) e a Fundação Friedrich Ebert, com apoio da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário do Estado do Paraná (Fetraconspar) e da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria da Construção e do Mobiliário (Contricom). O levantamento foi realizado pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

“O trabalho coordenado pela ICM contou com o apoio integral da Contricom, entre outras entidades, e foi desenvolvido dentro dessa preocupação com os sucessivos cortes orçamentários que trazem incertezas para o setor produtivo, ameaçam o emprego dos trabalhadores e seus direitos, como também afetam os próprios consumidores desses programas sociais. A Contricom estabeleceu uma forte parceria com a CBIC com o objetivo de implementar ações conjuntas em defesa dos empregos dos trabalhadores, da saúde financeira das empresas e da manutenção de programas sociais fundamentais para a população de baixa renda, como o Programa Casa Verde e Amarela”, destacou o presidente da Contricom, Altamiro Perdoná.

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