A construção civil tem vivenciado inúmeras transformações nos últimos anos. Uma delas é o uso cada vez maior do aço em projetos de infraestrutura e nas edificações, um movimento em linha com a necessidade de mais eficiência e sustentabilidade nas construções.

Em um encontro promovido pela Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração (ABM), no dia 6 de junho, empresários do setor e especialistas técnicos conduziram o painel “Construção Metálica: Soluções para infraestrutura e edificações: Soluções para infraestrutura e edificações”. Eles  abordaram os diferentes cenários da construção metálica no Brasil e no Mundo, falando sobre desafios e soluções.

Projetos com estrutura em aço são mais eficientes e agregam mais sofisticação ao imóvel

Os crescimento do mercado de estruturas de aço, segundo os palestrantes, está ligado diretamente às qualidades que ele traz a uma obra – maior produtividade, mais rapidez e melhor controle de qualidade, e também flexibilidade e fácil adaptação nos projetos. 

A sustentabilidade que as estruturas metálicas conferem ao empreendimento é hoje a cereja do bolo desse modelo de material: geração quase zero de resíduos, efeitos pequenos no entorno das obras,  menor geração de gases de efeito estufa no uso de aço de alta resistência. Um fator muito importante em um momento que o setor busca cada vez mais se descarbonizar.

Os desafios desse mercado

Porém, há desafios importantes nesse percurso. Na primeira etapa do encontro, mediada pelo presidente da Brafer Construções Metálicas e vice-presidente da Associação Brasileira da Construção Metálica (ABCEM), Marino Garofani, o Prof. Ricardo Fakury, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e Eduardo Zanotti, diretor executivo do Centro Brasileiro de Construção em Aço (CBCA), expuseram um cenário complicado no Brasil para o setor de construções metálicas.

“A carga tributária total sobre a estrutura metálica pode ser até 148% maior em relação a estrutura em concreto realizada in loco”, afirmou Zanotti. Ele ainda ainda listou a questão cultural, informações mal divulgadas sobre o tema, uma visão errada sobre os custos de operação, além da falta de mão de obra especializada e boa formação profissional como desafios do setor.

Sobre os dois últimos itens, o docente da universidade mineira foi ainda mais a fundo, mostrando como o tema é ainda pouco explorado nas instituições de ensino. “A carga horária média das disciplinas de estrutura de aço é pouca, cerca de metade da carga sobre estruturas de concreto”, explicou ele. 

“Mesmo engenheiros bem formados não saem prontos e preparados para o mercado”, continuou, ao falar sobre o despreparo de professores sobre o tema e a baixa capacitação que empresas oferecem sobre isso atualmente. No entanto, ambos os convidados vêem com certo otimismo o futuro do setor, com Fakury mostrando que, diferente de até poucos anos atrás, o Brasil hoje dispõe de muita literatura de qualidade sobre o assunto e uma consistente publicação de novos artigos acadêmicos. Já Zanotti trouxe ainda a última pesquisa CBCA, que mostrou um crescimento na produção e no faturamento da categoria.

Já na segunda parte do evento, dedicada às soluções competitivas no cenário internacional, Alejandro Wagner começou trazendo dados sobre o consumo de aço tanto no Brasil quanto na América Latina como um todo, em comparação a outras partes do mundo. Apesar dos números consistentes dos últimos anos no nosso país e no continente, o diretor da Alacero deixou claro o espaço que a América Latina tem para crescer, ainda mais considerando a importância do aço para que a indústria de construção seja cada vez mais uma economia de baixo carbono.

“A América Latina tem uma situação muito favorável, com abundante disponibilidade de recursos naturais e condições para implementação de projetos de energia renovável e biomassa”.

Na sequência, os pesquisadores Bassam Burgan e Carlos Rebelo, além de Luis Pupin, Global R&D Brazil da ArcelorMittal e especialista na metodologia Steligence, apresentaram as diferentes inovações que as instituições e empresa que representam vem desenvolvendo para ajudar a alavancar o setor de construção em aço. 

Benefícios ambientais e econômicos das estruturas metálicas

Em comum em suas palestras, os três especialistas ressaltaram os benefícios ambientais e econômicos do uso mais extensivo da liga metálica, além de apontar fatores que podem potencializar isso, como um melhor design de projetos e estruturas, um uso mais eficiente de materiais e padronizações para reusos no futuro. 

Burgan e Rebelo ainda trouxeram exemplos práticos do que vem sendo trabalho no SCI e no ISISE, como aplicações que minimizam o desgaste de estruturas, desenvolvimento de torres de energia eólica automontantes, geração de energia de maneira mais limpa, entre outras.

Na última etapa do painel, focada nas soluções para o mercado interno, Tomás Vieira de Lima, diretor de estrutura metálica da Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural (Abece), introduziu a discussão da qual participaram Gustavo Chodraui, engenheiro calculista sênior da CODEME, e Alexandre Jordão, especialista em desenvolvimento de mercado da Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM).

O executivo da Abece, retomando em parte o “desafio cultural” mencionado por Eduardo Zanotti, trouxe para o debate os preconceitos que a construção metálica e estruturas de aço mistas ainda enfrentam no Brasil, como de que o material é muito caro, quando as pessoas erroneamente comparam com o concreto e não consideram o empreendimento como um todo, e equívocos como achar que a estrutura metálica não tem durabilidade, pois enferruja, ou que o aço amolece em caso de incêndio. Além disso, Chodraui falou sobre como contrapor esses pontos com as vantagens de produtividade e ambientais do material.

Na última palestra do dia, Alexandre Jordão trouxe o enfoque para o uso de ligas de aço microligado ao nióbio e como elas auxiliam em uma maior desmaterialização das construções, elevando ainda mais a conversa sobre a área se tornar mais sustentável.

Além das aplicações em mobilidade, energia e parte estrutural, o especialista da CBMM deixou claro, como levantado nas apresentações anteriores também, a importância das ligas de aço de alta resistência para auxiliar na descarbonização da construção civil, direta e indiretamente, e como uma desmaterialização mais prática de obras e empreendimentos também segue por esse caminho necessário.

“Mais do que termos materiais de alta performance, também é essencial termos no setor da construção materiais que se desmaterializam”, destacou.

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